Conheça as origens e evolução da cana-de-açúcar
Trazida pelos portugueses da Ilha da Madeira, a cana-de-açúcar chegou ao Brasil no início do século 16 para fazer história. A espécie natural da Nova Guiné expandiu-se rapidamente pela costa do então domínio lusitano, com destaque para Pernambuco, onde os férteis solos de massapé favoreceram enormemente o seu cultivo. Recém-chegada, a gramínea da família das Poaceae deu origem, entre 1516 e 1534, ao destilado pioneiro das Américas, a cachaça, e se tornaria, algumas décadas mais tarde, protagonista do primeiro período de grande prosperidade do Brasil Colônia, o ciclo do açúcar.
A forte alta dos preços do produto no mercado internacional, a partir da década de 1580, estimulou a rápida expansão do plantio e processamento da cana-de-açúcar, sobretudo em Pernambuco e na Bahia. Em 1589, havia cerca de 130 engenhos no Brasil, 109,6% a mais do que o total registrado, por volta de 1570, pelo historiador português Pero de Magalhães Gandavo. Sessenta anos depois, o parque instalado havia mais que duplicado.
O ciclo do açúcar entrou em declínio a partir da década de 1630, com o início da ocupação do litoral do nordeste brasileiro, de Sergipe ao Maranhão, pelos holandeses, que acabaram com o lucrativo monopólio produtivo português. A solução para os proprietários de moendas de cana foi deixar o açúcar de lado e dar prioridade à produção de cachaça, que seguia a ser utilizada como moeda corrente para a compra de escravos.
A produção da bebida ganharia novo impulso em escala nacional com a introdução, no início do século 19, de uma nova matéria-prima. Era a cana-caiana, trazida da Guiana Francesa durante a invasão desta por tropas de D. João VI. A variedade oferecia grandes vantagens sobre a cana-crioula, ganhando assim seu espaço. Rica em açúcar, a caiana tem como ponto franco a baixa resistência a pragas. Tal debilidade se tornou evidente na segunda metade do século 19, com a devastação de lavouras no sul da Bahia e em Pernambuco pela gomose. O problema foi resolvido com o cruzamento de espécies.
O plantio e a colheita da cana exigem um minucioso planejamento de longo prazo dos grandes produtores de cachaça. Como a safra no Centro-Sul se estende de abril a novembro, é preciso contar com espécies de maturação distintas, de forma a manter as linhas de produção da bebida em atividade contínua ao longo desse período, sendo que uma característica desejável da variedade é ter um longo período útil para industrialização.
A cana-de-açúcar proporciona boa produtividade por cinco safras. Findo esse ciclo, ela cede espaço a outra espécie – geralmente a soja –, cujo cultivo, além de gerar renda, permite a regeneração do solo e lhe garante novos nutrientes.
Com uma trajetória de 500 anos, a cultura da cana no Brasil segue a se modernizar. São Paulo está próximo de eliminar, de vez, a queima da cana em áreas mecanizáveis. Na safra 2015/2016, os signatários do acordo não empregaram chamas em 91,3% da área colhida, num total de 3,46 milhões de hectares.
Líder mundial na produção de cachaças, a Companhia Müller se encontra na vanguarda desse processo. O início da mecanização da colheita foi em 1997, e a empresa obteve, em 2017, total autonomia no fornecimento de cachaça à sua unidade de Pirassununga (SP). Com praticamente 100% de colheita realizada de forma mecanizada, são sete colhedoras de cana, operadas em três turnos, cultivando cerca de 20 variedades, utilizadas na produção dos destilados da marca. “Zeramos o uso de cana queimada. Quem ganha com isso é o consumidor”.
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